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“O livro está vivo, a leitura vai resistir”, afirma Leila Ferreira, convidada do 8º Fliaraxá

16 de maio de 2019

Onde moram nossos medos? Leila Ferreira, Carla Madeira, Daniela Zupo e Cris Guerra vão conversar sobre essa pergunta e, quem sabe, respondê-la no segundo dia de Fliaraxá. A mesa, de mesmo nome, é no dia 20 de junho, às 21h30 e conta com a participação de todas essas escritoras.

Uma delas, Leila Ferreira, é araxaense e conversou conosco sobre como é ser uma best-seller, sobre jornalismo, sobre o novo livro e sobre a situação da leitura no Brasil. Ela também adiantou sobre o que vai falar na mesa do Fliaraxá.

Leila Ferreira é jornalista, formada em letras e tem mestrado em comunicação pela Universidade de Londres. Foi repórter da Rede Globo por dez anos, apresentou o programa Leila Entrevista e é autora best-seller dos livros Viver não dói, A arte de ser leve  e Mulheres: por que será que elas…?, publicados pelo selo Principium da editora Globo Livros.

Confira a entrevista com a autora.

Leila, a escrita jornalística influencia de alguma forma a escrita literária? A sua escrita literária?

Acho que, no meu caso, a fronteira entre as duas escritas sempre foi tênue. Quase imperceptível. Talvez porque eu nunca tenha me visto como escritora. Desde meu primeiro livro, escrevo como a jornalista que fui – e que, por dentro, sempre serei. Gosto da simplicidade, da clareza, da linguagem coloquial que aprendi a usar na TV. Tenho medo de trabalhar muito o texto e o tiro sair pela culatra (rsrs), porque esse texto traballhado não seria eu, ou não seria meu.

Gosto muito de ouvir e de contar histórias. Todos os meus livros são alimentados por relatos que ouvi, histórias que presenciei ou minhas próprias histórias. E é muito mais como repórter que organizo esses relatos e os transformo em narrativas. Sou uma candidata a escritora que estará sempre com o microfone na mão. Até quando a entrevistada for eu mesma.

Como é ser uma autora best seller?

Jamais imaginei escrever um livro que vendesse 100 mil exemplares. “A Arte de Ser Leve” me surpreende diariamente, não só pelo volume de vendas mas pela resposta dos leitores. Recebo uma quantidade impressionante de mensagens, muitas delas comoventes, sobre as reflexões e mudanças de comportamento que o livro provoca.

Aí a gente cai naquela velha questão: é um livro de autoajuda? Por isso vende tão bem? Não sei. O que eu sei é que, na minha assumida incompetência existencial, eu jamais me propus a escrever um livro prescritivo, ditando receitas matemáticas de bem-viver. O que está ali é resultado de reflexões pessoais despretensiosas, mas honestas, associadas a depoimentos de vários especialistas em comportamento. Se estiver ajudando os leitores de alguma forma, é claro que eu só posso me sentir feliz.

No seu livro “Viver não dói” estão presentes causos e crônicas sobre a vida. Esse tipo de abordagem é sempre presente e importante para a sua obra?

Sim, é o que eu disse no início. Sou fascinada pelas histórias de vida, pelos casos que a gente entreouve pelos caminhos. O ser humano sempre foi minha paisagem preferida e jamais me cansarei de contemplá-lo, ouvi-lo e, através de suas histórias, tentar (em vão) entendê-lo.

O Brasil é conhecido por ser um país de poucos leitores. É possível reverter esse aspecto? Algo está sendo feito nesse sentido? De que forma a Fliaraxá pode contribuir para mudar esse quadro?

Eu acabei de voltar da FILBO, a Feira Internacional do Livro de Bogotá, e fiquei hospedada num hotel colado ao centro de convenções onde a feira aconteceu. Da janela do meu quarto, no décimo-primeiro andar, a imagem que eu avistava todos os dias era inacreditável: milhares e milhares de pessoas entrando e saindo daqueles pavilhões. Um formigueiro de leitores, formando filas gigantescas. E aí a gente inevitavelmente pensa: o livro está vivo, a leitura vai resistir, a literatura, seja qual for o meio que a publique, ainda é capaz de apaixonar. Poucas imagens me encheram tanto de esperança nos últimos tempos.

E aí a gente pensa no Fliaraxá e no papel fundamental que ele tem tido para formar leitores, desenvolver o gosto pelos livros, aproximar leitores e escritores, criar uma conversa literária que só ali, com aquela programação, se torna possível. Sou araxaense e sei o que o festival tem trazido para a cidade. Sou apaixonada pelos livros e sei o que o Fliaraxá tem feito pelo futuro dos livros. Só torço para que, cada vez mais, ele inspire iniciativas parecidas. Que em cada canto surja um Afonso Borges, que nunca teve medo de ousar ou de sonhar. E que em cada casa deste país haja sempre um livro à vista, ao alcance das mãos e dos olhos, pra atiçar a vontade de ler. Os celulares podem esperar.

O  que você pode adiantar para o público do Fliaraxá  referente a tema da mesa “Narrativas Femininas: onde moram nossos medos” que você dividirá com Carla Madeira, Daniella Zupo e Cris Guerra?

A Carla, a Daniela e eu já fizemos um ensaio desta conversa numa edição recente do Sempre um Papo em Belo Horizonte, mas o tempo não deu nem para o começo… O assunto é desafiador: os medos que castigam nossos cotidianos são muitos e complexos. Não vamos nos atrever a fazer uma análise sociológica ou psicanalítica deles, mesmo porque nenhuma de nós é socióloga ou psicanalista. O que a gente deve fazer, agora com a ajuda valiosa da Cris Guerra, é falar como mulheres que somos sobre o que nos amedronta, não só às mulheres, mas aos homens também, no mundo de hoje. O repertório de medos com que nos confrontamos diariamente é vasto, mas acho que o pior deles ainda é o medo do medo. Espero que nossa conversa seja uma tentativa de arejar os porões onde tantos temores gostam de se esconder. Trazer os medos à luz é uma forma (ainda que sem garantia) de vencê-los.

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