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Mia Couto presta reverência aos professores

    18 de novembro de 2017

    Em todas as vezes que subiu ao palco da Sala Minas Gerais, no Grande Hotel, o principal espaço do Fliaraxá, Mia Couto recebeu aplausos, elogios e reverências. Na manhã de hoje, ao cumprir o mesmo trajeto, o escritor homenageado desta edição do festival pediu para que as honras que lhe direcionavam fossem compartilhadas com os professores ali presentes.

    Ao cumprimentar os alunos de Araxá vencedores do Prêmio de Redação Maria Amália Dumont, ele agradeceu o trabalho dos professores e demais profissionais que atuam nas escolas participantes. Depois, já com a cerimônia encerrada, voltou a elogiar o papel dos educadores.

    “Foi através de professores e professoras que eu descobri que o livro não é exatamente um objeto. O que está no livro não são palavras, não é literatura, são pessoas. E essas pessoas nos fazem reencontrar nos próprios, fazem descobrir nós mesmos e ter esse desejo de sair de nós para fazer uma viagem para o outro. E isso é fundamental, não como uma coisa literária, mas para ser feliz”.

    Com a mesma fala calma e a postura tímida, que lhe são características, Couto também agradeceu os organizadores do Fli. “O escritor não faz livro, faz uma ponte com os outros”, disse. “Obrigado por terem me proporcionado este momento”.

    Samba

    O anúncio de Mia Couto foi realizado pelo ator e, agora, também escritor Pedro Cardoso. Ele disse que o autor moçambicano criou dentro dele um sentimento de transformação, que só lembra de ter tido após o contato com o Grande Sertão, de Guimarães Rosa. “A emoção diante de algo que é belo muda a gente”, disse. “A obra do Mia vai comigo agora para onde vou”. Para provar que não estava enganado quanto à beleza das palavras, Cardoso acabou recitando o poema “Saudade” do escritor.

    Cardoso ainda comparou os livros de Couto com o samba. Explicou que a sua poesia, criada por um descendente europeu nascido em um país africano, teria uma linguagem própria, um tanto diferente do que se fazia os escritores de famílias cujas gerações pertenciam à Moçambique. O mesmo teria acontecido com o estilo musical brasileiro, desenvolvido por africanos e descendentes, que não se sentiam completamente pertencidos ao nosso país.

    No fim, o samba prestou mais uma homenagem ao escritor. O músico Salatiel Silva compôs e apresentou a canção “A música que atravessa oceanos”, que fala do trabalho de Couto. Estava acompanhado do coletivo musical de Araxá Grupo de Moçambique Verde Branco.

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    Fotografia: Daniel Bianchini

     

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