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Mia Couto e Bruna Lombardi fecham mais um dia de Fliaraxá

    19 de novembro de 2017

    O último Diálogos em Espiral de sábado, no Fliaraxá, colocou lado a lado dois escritores mineiros. O primeiro, nascido em Moçambique. A segunda, em São Paulo. Mia Couto e Bruna Lombardi tem mais em comum do que os olhos verdes e o amor pela poesia. Em algum momento de suas vidas, tiveram as personalidades descritas como os dos nascidos na terra de Araxá. E gostaram disso.

     

    Couto já tinha assumido que talvez seja o mais mineiro dos poetas africanos. A razão está no jeito desconfiado e de nunca responder, diretamente, o que lhe perguntam. “Os moçambicanos, assim como os mineiros, têm uma dificuldade grande de contrariar os outros”.

    O escritor homenageado nesta edição é também um grande admirador de Carlos Drummond de Andrade e Guimarães Rosa, cujo estilo de literatura se assemelha. Guimarães Rosa, por sinal, é o que trouxe Bruna a morar um tempo no Estado. Ela viveu uma das personagens mineiras mais conhecidas, Diadorim, quando uma série de TV, nos anos 80, roteirizou o Grande Sertão Veredas.

    Os dois contaram histórias e leram algumas de suas poesias. Couto lembrou de quando aprendeu o que era poesia, ainda criança, ao caminhar com seu pai próximo a uma linha férrea. “Ele catava pedras brilhantes que caiam do trem”, disse. “Sem perceber, me dava a primeira lição de poesia”.

    Segundo Couto, a poesia lhe deu uma razão para seguir em frente. “Minha família achava que eu não ia dar certo em nada”, brinca. “Então, me tornei poeta e é por isso que escrevo”. Como força dessa literatura, lembrou o episódio vivido pelo líder vietnamita Ho Chi Minh, que passou parte da vida preso. Nesse tempo, escreveu versos de amor. Quando perguntado como conseguiu, teria respondido que a poesia quebrou as paredes.

    Bruna também contou sobre quando se tornou escritora. E como essa descoberta a fez se autodescobrir. “Todo mundo que escreve, mesmo os revoltados e derrotistas, de alguma maneira querem um mundo melhor”. Ela incentiva as outras pessoas a iniciarem essa jornada interior. Até criou uma rede de relacionamento, baseada nas mídias sociais,

    Ambos leram alguns de seus textos. Couto declamou o poema que fez para sua esposa, Patrícia, na platéia. Bruna recitou um texto que fala sobre Minas Gerais. Uma das homenagens à terra que, todos já sabem, ela adotou como natal.

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