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Confira o resultado sobre qual livro de Machado de Assis é o preferido dos seguidores do Fliaraxá

14 de maio de 2019

Que a obra de Machado de Assis é extensa e clássica nós já sabemos. Mas qual é o livro preferido da maioria das pessoas? Perguntamos aos seguidores do Fliaraxá qual livro de Machado de Assis eles mais curtiam e tivemos, praticamente, um empate técnico. O autor é o patrono do Fliaraxá em 2019.

De acordo com o placar do feed de nosso perfil no Instagram, Dom Casmurro ficou com 12 votos, enquanto Memórias póstumas de Brás Cubas ficou com 10. Mas por que esses dois livros são tão queridos dos leitores?

Confira aqui a programação completa do Fliaraxá

O livro Dom Casmurro foi publicado em 1899 pela livraria Garnier e conta, em primeira pessoa a história de Bento Santiago. Bentinho, como é mais conhecido, reúne relatos que vão desde a sua infância até os dias contemporâneos ao livro. Ele escreve sobre a sua vida no seminário, sobre a sua juventude, sobre o seu caso com Capitu e o ciúme que tem da garota (tema central da obra). A história é ambientada no Rio de Janeiro, lá no Segundo Império, e é escrita utilizando ferramentas literárias como a intertextualidade e a ironia.

Dom Casmurro é uma das obras mais clássicas da literatura brasileira e faz parte de uma trilogia. Junto com ele estão Memórias póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba. Essa trilogia marca a mudança na produção de Machado de Assis e a introdução ao Realismo na literatura do Brasil.

Veja algumas curiosidades sobre Dom Casmurro, de Machado de Assis

– O título Dom Casmurro vem de comentários dos vizinhos de Bentinho, que o chamavam de casmurro. Eles o acusavam de ser um homem muito calado.

– A obra tem uma polêmica sobre traição. Até hoje, críticos literários, psicólogos, psicanalistas e estudantes estudam sobre uma possível traição de Capitu. O livro deixa subentendido que a personagem traiu Bentinho com Escobar, mas o autor não esclarece essa questão ao longo da história.

– Dom casmurro ganhou a adaptação “Dom” para as telonas. Lançado em 2003, na categoria drama, o filme marcou a estreia do diretor Moacyr Góes. Marcos Palmeira e Maria Fernanda Cândido deram vida aos personagens principais. No longa, Bento é um engenheiro que vive em São Paulo e ganhou esse nome em homenagem ao livro de Machado, por isso acredita que tem o destino de viver a mesma história. “Dom” foi premiado no 31º Festival de Gramado, em 2003, e no 3º Festival de Cinema de Varginha, em 2004.

Em 2018, a Globo produziu a minissérie “Capitu”. Ela foi produzida em homenagem aos 100 anos de morte de Machado de Assis e teve, novamente, a presença de Maria Fernanda Cândido como Capitu. Todas as produções tem o mesmo foco: Capitu traiu ou não? Dom Casmurro teve, ainda, adaptações para o teatro, música popular, música erudita, literatura e quadrinhos.

– A crítica feminista também é pesada sobre a obra. A principal crítica é a de que não há nenhum momento ou algo que comprove a suposta traição de Capitu. Segundo os argumentos, a narrativa em primeira pessoa apresenta somente a visão presenciada pelo narrador-personagem, em nenhum momento há outros pontos de vista.

Memórias póstumas

– Já o livro Memórias póstumas de Brás Cubas, publicado em 1881, na Revista Brasileira e peça Tipografia Nacional, no ano seguinte, retrata a escravidão, as classes sociais, o positivismo e o cientificismo da época. Memórias póstumas de Brás Cubas também é narrado em primeira pessoa pelo “defunto-autor” Brás Cubas. Ele é um homem que já morreu, mas que quer escrever, mesmo assim, a sua autobiografia. Dessa maneira, o personagem escreve as suas memórias póstumas diretamente do túmulo e começa com uma espécie de dedicatória “Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas.”

Assim como Dom Casmurro, Memórias póstumas de Brás Cubas tem curiosidades:

– Foi publicado em formato de folhetim, que é uma narrativa que tem duas características principais: tem um formato específico, pois é publicado parcialmente em periódicos como jornais e revistas, e o conteúdo também é específico, a narrativa é ágil e os eventos são expostos abundantemente para prender a atenção do leitor.

– A obra tem o tempo psicológico e o tempo cronológico. O psicológico apresenta característica não linear, permitindo que o autor conta a história do seu jeito, fazendo interrupções e manipulações. O cronológico, por exemplo, se refere à sequência da vida de Brás Cubas, que é narrada de forma linear, passando pela infância, juventude, viagem à Coimbra, a volta ao Brasil e a morte.

– Memórias póstumas de Brás Cubas também teve adaptações. Ele recebeu três versões cinematográficas. Sendo assim, a primeira foi dirigida de forma experimental por Fernando Cony Campos. Foi em 1967, e recebeu o nome de Viagem ao fim do mundo. A segunda foi filmada por Julio Bressane em 1985 e apresenta características estéticas mais ousadas. A terceira foi filmada em 2001, por André Klotzel, e foi fiel à obra de Machado de Assis. O livro também ganhou uma versão em paródia, Memórias desmortas de Brás Cubas. Nele, Pedro Vieira transforma Brás Cubas em um zumbi. Também integrou a série Grandes Clássicos em Graphic Novel, da Editora Desiderata; e ganhou uma versão em quadrinhos.

 

 

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