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Gastronomia e música são destaque na área externa do Fliaraxá

    19 de novembro de 2017

    O grupo Minas Em Canto havia acabado de subir ao palco da área externa do Fliaraxá 2017 quando um homem trajando a camisa número sete da seleção portuguesa foi abordado pela nossa reportagem, na tarde do quarto dia de festival. Pedimos licença a seus dois interlocutores, que prontamente deram algum espaço para que o empreendedor pudesse conversar conosco, mas não antes de elogiarem o trabalho. “O bacalhau está muito bom”, disse um deles, mostrando com satisfação o prato de isopor. “Realmente delicioso”, completou o outro.

    Vindo de Portugal em 2012, durante a crise econômica naquele país, Humberto Petel vive em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Sua barraca de comida lusitana, a Tuga Portuguesa, é uma das marcas que compõem a extensa área gastronômica do festival, na ala leste do Tauá Grande Hotel de Araxá. Faz questão de dizer que não é um chefe de cozinha, mas um mero curioso.

    “Não sou chefe, nunca fui. Mas gosto de cozinhar. Sou um curioso. Para usar uma palavra que meus amigos usam, eu tenho um dom para a cozinha”, diz com modéstia, enquanto se houve do palco a canção ‘Paisagem na janela’. Nos cinco dias de evento, o Fliaraxá 2017 recebeu 30 bandas, com um total de 400 músicos envolvidos. Entre eles, nomes como Celso Adolfo, João Donato e Pato Fu.

    Humberto sai abrindo espaço entre as pessoas, a camisa de Cristiano Ronaldo a nos guiar até a parte detrás da barraca, onde alguns frangos assam dourados em fogo já baixo.

    “Normalmente eu trabalho com o frango no churrasco (as pessoas precisam saber que em minha terra também tem churrasco), além da costelinha de porco, tudo com o tempero diferenciado da região da Bairrada, em Portugal”, ele explica, virando o frango. “Para o Fliaraxá, eu criei um prato especial: um tipo de lombo de porco recheado em que, na realidade, eu utilizo carne de boi. Estou chamando de costelão recheado”, conta.

    Foto: Emanoel Ferreira

    Foto: Emanoel Ferreira

     

    Somente nos quatro primeiros dias de festival, quase 22 mil pessoas passaram pelas instalações do Fliaraxá no Grande Hotel. Até o fim do último dia, foram mais de 25 mil visitantes. Frederico Augustus, da cervejaria Vila Alemã, comemora a participação da marca nesta edição do evento.

    “Tem sido muito bom. Várias cervejarias estão participando, são muitas e muitas pessoas passando por aqui todos os dias, isso ajuda a difundir a cerveja artesanal”, conta o cervejeiro, que comenta também os benefícios do festival para Araxá. “O evento movimenta a cidade. Traz vida, pessoas de lugares distantes. Acho muito bacana”.

    Tuga Portuguesa e Vila Alemã são apenas dois dos 25 expositores presentes. Se os painéis interessantíssimos com o moçambicano Mia Couto, o angolano Ondjaki, o português José Luiz Peixoto e tantos brilhantes autores brasileiros, entre eles Bruna Lombardi, Pedro Cardoso, Cristóvão Tezza, Luiz Ruffato, Ana Maria Gonçalves, Ana Paula Maia e Sérgio Rodrigues foram suficientes para mobilizar multidões no Tauá Grande Hotel de Araxá, boas música e gastronomia foram o complemento ideal para dias que ficarão marcados na vida literária nacional.

    “A área gastronômica e musical montada no estacionamento do Tauá Grande Hotel e Termas de Araxá foi a grande novidade da sexta edição do Fliaraxá. Os 25 expositores de Araxá e Belo horizonte, juntamente com um volume considerável de espetáculos musicais, diversos e inclusivos, indo do erudito ao rap, proporcionaram palco, voz e novas receitas à comunidade. Tais ações trouxeram um novo e volumoso público para a região do Barreiro e ajudaram a resignificar a sua ocupação por toda a população. Pensamos que o Fliaraxá plantou mais essa semente”, comenta Kuru Lima, diretor artístico das apresentações musicais.

     

    Fotografia: Frankli Caldeira

     

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