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Fliaraxá realiza sonho do leitor Pedro Davi Oliveira

23 de junho de 2018

Você consegue se lembrar da idade em que começou a ler? Para o jovem Pedro Davi, de 15 anos, essa não é uma pergunta complicada. Foi aos 10 que ele percebeu ter nascido ligado ao universo da literatura.

Por isso, participar do Fliaraxá soava como um sonho para Pedro. Que ele correu atrás. Escreveu uma carta para Afonso Borges, curador e idealizador do Fliaraxá, ao som de Baker Street, de Gerry Rafferty, no saxofone, listando os motivos pelos quais ele deveria estar na edição 2018 do Festival.

“Talvez esse seja o meu maior desejo nos últimos tempos, talvez esse esteja no topo da minha lista de sonhos, talvez um pouco mais abaixo que eu publicar um próprio livro”, disse. Entre os argumentos que ele apresenta, o desejo de conhecer de perto diversos autores da programação, Pedro se diz quase uma Wikipédia dos livros e seus autores. “Então, ir a uma feira do livro e conhecer meus autores favoritos é riscar da minha lista de sonhos (eu tenho uma, se quer saber). E sonhos são coisas muito especiais, e que geralmente são quase impossíveis. Bom, esse é meu sonho mais perto do impossível. Se para alguns é um sonho pequeno, eu realmente não acho”.

Sendo assim, sonho está prestes a ser realizado. Afonso Borges convidou o garoto a participar do Fliaraxá.

Morador de Ipatinga (MG), o adolescente que foi criado por uma família sem hábitos de leitura, afirma ser um “fenômeno”. Descobriu sua paixão com um clássico juvenil que encantou gerações.Inclusive o menino que não gostava de ler: Um Girassol na Janela, de Ganymedes José.

Depois disso, centenas de gêneros e autores passaram pela sua vida. De Ziraldo a Érico Veríssimo, o jovem afirma não enfrentar dificuldades com os distintos estilos de leitura. “Acho até bom para adolescentes como eu, ele escreve muita ação e ainda fala de história”, comenta o jovem sobre Veríssimo, um dos seus autores favoritos.

E se você pensa que Pedro guardou sua paixão apenas para si, está muito enganado. No início de 2017, iniciou uma arrecadação de livros para a biblioteca da escola que estudava em Valão, distrito de Poté, no Vale do Mucuri. Através das redes sociais fez contato com autores, editoras, livreiros e livrarias buscando obras para incrementar as prateleiras e conseguir proporcionar um acervo maior para o lugar que possuía tão pouco.

Em um ano, o jovem conquistou mais de trezentos livros, recebendo doações diretas de autores como Ana Maria Machado, Ruth Rocha e Afonso Borges. Do curador e idealizador do Fliaraxá, Pedro também recebeu o convite para conhecer a sétima edição do evento. “Ele é muito gente boa, e as ajudas que ele tem me dado, não dá nem pra descrever. O cara é demais!”, conta sobre a amizade com Afonso.

Durante os cinco dias de Fliaraxá, a expectativa é conseguir ir no máximo de oficinas que puder, conhecer os autores que já o encanta como Pedro Bandeira e Marina Colasanti, e se aventurar em outros nomes. “Espero ficar muito feliz, que os autores sejam pessoas legais e que eu consiga me esbaldar no mundo dos livros”, comenta animado.

 

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