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Encontro entre homenageadas Marina Colasanti e Ana Maria Machado é destaque do quarto dia de Fliaraxá

1 de julho de 2018

O sarau do Tamanduel abriu a programação de sábado, antecedendo a entrega do sétimo Prêmio de Redação Maria Amália Dumont. Na sequência, o curador e idealizador do Festival, Afonso Borges, deu início à solenidade com um discurso emocionado. Neste ano, uma novidade, a premiação foi divida, por idade, em três categorias. Os alunos que ficaram em primeiro e segundo lugares receberam um troféu das mãos das autoras homenageadas do VII Fliaraxá, Ana Maria Machado e Marina Colasanti. Além disso, uma premiação em dinheiro foi oferecida pela CBMM. Ao final, um momento especial com discursos de Ana Maria Machado e Marina Colasanti.  

Em uma das mesas mais interessantes do dia, “130 anos de abolição”, teve as presenças de Angela Alonso, Maria Paula Dallari Bucci e Ricardo Aleixo, com mediação de Heloísa Starling. A história da abolição no Brasil foi tratada através de seus personagens principais e das estratégias de superação da ordem escravista. A conversa mostrou o vigor dos dois lados da luta, abolicionistas e escravistas, e o fim melancólico,com  uma abolição sem qualquer tipo de reparação à população escravizada. O poeta mineiro Ricardo Aleixo, falou de sua experiência e história familiar e leu poemas seus escritos pensando nos ecos da escravidão na contemporaneidade.  

Uma das grande atrações do Fliaraxá se apresentou neste sábado, na Sala Ouro Preto. O repórter de guerra e escritor Philippe Lobjois conversou com o público sobre o seu recém-lançado O Diário de Myriam (Ed. Darkside). Na conversa, o escritor falou sobre a Guerra Civil Síria e a questão dos refugiados, além de contar mais sobre seu encontro com a jovem Myriam, autora dos diários editados por ele.

A mesa “Quem são essas mulheres que estão fazendo a literatura brasileira?” reuniu as escritoras Leila Ferreira, Ilana Casoy, Eliane Brum,  Daniella Zupo e Carla Madeira para falar de seus trabalhos mais recentes e da presença feminina cada vez mais forte na literatura brasileira.

Na mesa “A esperança é hoje a virtude mais urgente e necessária”,  Leonardo Boff e Eugênio Bucci falaram sobre a atual crise política que o Brasil vive e a necessidade de manter viva a esperança. “Não há crises perenes, como não há reinos infinitos”, afirmou Boff,  “é um sofrimento que estamos passando para um grande salto igualitário que vamos dar”. O escritor defendeu de forma veemente o direito de Lula a se candidatar e contou sobre a conversa que teve com o ex-presidente ao visitá-lo no cárcere. “Hoje, a virtude da esperança é a mais necessária. A esperança é o que mantém o horizonte aberto. Quando isso desaparece, desaparece o sentido da vida”, concluiu Leonardo Boff. Autor do livro A forma bruta dos protestos, Eugênio Bucci falou sobre os eventos que marcaram o país em 2013. “2013 foi uma explosão de raiva e também um pedido de esperança, que ainda não encontramos. A esperança do Brasil não pode depender do Lula. A esperança de um país precisa ser mais forte do que isso. Isso não quer dizer que eu considere justa a sua prisão”. Bucci falou sobre a necessidade de amadurecermos politicamente e como isso exige saber lidar com frustrações. “Eu sei que é dolorido quando a gente fala disso, mas essa situação não caiu do céu. Se nós não fizermos o exame autocrítico que nos leve a aprender com erros, não seremos um país adulto, porque nossa esperança dependerá sempre de messias”, concluiu.

Encerrando a noite, um encontro especial entre duas damas da literatura brasileira, Marina Colasanti e Ana Maria Machado. O público aplaudiu em diversos momentos as falas das homenageadas desta edição do Fliaraxá. Na pauta, uma reflexão sobre o conjunto da obra das duas, seus métodos de escrita  e estilos próprios. “A responsabilidade que tenho com os textos para crianças ou adultos é a mesma. O único cuidado que tenho é não usar termos abstratos. Ao invés de usar a palavra solidariedade, prefiro mostrar a solidariedade”, afirmou Ana Maria Machado. O feminismo também esteve na pauta. “Eu adoro ser mulher, mesmo mal tratada, espezinhada, desprezada, eu acho o feminino maravilhoso”, disse Marina Colasanti, aplaudida com entusiasmo.

Na  programação musical, MPBaixinhos foi sucesso entre crianças. No palco principal, o destaque foi para o melhor do blues com a banda Soul Much Blues e os clássicos da MPB arranjados e reinterpretados à luz do diálogo entre o RAP e a percussão, com Bala da Palavra.

 

No Mastigando Autores, o público teve oportunidade de conversar abertamente como os convidados Acely Gonçalves Hovelacque, Maria Inês Garíglio, Renato Zupo, Cacá Carvalho, Ana Maria Machado, Laura Wolff Bandeira Klink, Marina Helena Bandeira Klink, Tamara Wolff Bandeira Klink, Marina Colasanti, Elisa Ventura, Ilana Casoy, Chico Mendonça, Juan Pablo Villalobos, Ricardo Aleixo, Ana Rubert, Paulo Pinto, Claudio Prado, Marcelo Rubens Paiva e Marcel Souto Maior.

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