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Cultura e futuro: painel no Fliaraxá faz ode ao diálogo

    18 de novembro de 2017

    As redes sociais têm estabelecido, dentre tantas coisas positivas, um ambiente negativo entre partes divergentes, cada vez menos abertas ao diálogo construtivo? Hugo Barreto, secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, Eduardo Piquet, diretor-geral do Museu do Amanhã, Ascânio Seleme, diretor de redação do jornal O Globo, e André Sturm, secretário de cultura da cidade de São Paulo, parecem concordar que sim.

    Durante o painel “Cultura e futuro”, Afonso Borges conduziu um bate papo que, embora tenha versado em diferentes facetas do mesmo tema, convergiu para uma conclusão comum a todos os participantes: a cultura precisa ser um fomento para o diálogo.

    “É mais fácil odiar atrás de um computador”, enfatizou André Sturm. “Mas a cultura, em muitos momentos, tira as pessoas de casa. Seja para um ao cinema, a um show, a um festival de literatura como o Fliaraxá. E aí elas veem as outras pessoas. Podem ouvi-las e, mesmo que não concordem, respeitam sua fala. Notam que não precisam odiar os outros por causa de opiniões diferentes. Assim, a cultura vence um pouco dessa batalha”.

    Hugo Barreto destacou a relação direta entre liberdade e diversidade de pensamentos, apontou que eventos como o Fliaraxá são espaços de resistência diante de uma crescente ignorância e alertou para o autoritarismo das perseguições às expressões artísticas. “Precisamos cuidar para que não cheguemos àquele estágio em que tudo o que não é proibido, é obrigatório”.

    A preocupação com o futuro do jornalismo no contexto das redes sociais, como instrumento de uma mutação prejudicial ao critério jornalístico, permeou as intervenções de Ascânio Seleme no painel. Ele apontou que a democracia apenas pode ser defendida com um jornalismo que seja profissional e atenda a critérios específicos. Segundo o diretor de redação de O Globo, a atividade corre risco. “Uma democracia fragilizada tem, como primeiro sintoma, a desidratação da cultura”, aponta.

    Ricardo Piquet, por sua vez, ponderou que os extremismos são prejudiciais em qualquer contexto e que os agentes de cultura são fundamentais para garantir um futuro em que haja diálogo pleno.

    “Quando nos colocamos como donos da verdade, fazemos o mesmo que fazem aqueles extremistas com os quais não concordamos. Temos que ser pontes entre extremos. Precisamos promover o diálogo”, disse Piquet.

    Em seu desfecho, André Sturm arrancou aplausos da plateia quando mencionou que também a diversidade de pensamentos e convicções políticas são fundamentais. “Diversidade é toda a diversidade, não só parte dela”, disse o secretário.

     

    Fotografia: Daniel Bianchini

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