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Ana Maria Machado e Marina Colasanti são homenageadas no VII Fliaraxá

18 de junho de 2018

 

Um encontro que tenha amigos que gostem de ler e conversar sobre os livros lidos. É com essa expectativa que a autora Ana Maria Machado chegará o Fliaraxá no próximo dia 27 de junho. Ela será homenageada pelo evento, ao lado de Marina Colasanti. Os patronos desta edição são Guimarães Rosa e Graciliano Ramos.

 

Guardadas as devidas separações de geração e estilo, não há como negar que cada um, à sua maneira, tem enorme contribuição na história da literatura brasileira. Os quatro. “Num primeiro momento, diria que o que nos une é o gosto pelos livros e pela linguagem em geral, e a vontade de desenvolver isso criando novas histórias ainda inexistentes”, diz Ana Maria. Segundo ela, isso é que os motiva a explorar variados tipos de escrita.

 

Há mais de 40 anos, Ana Maria Machado se dedica à literatura. É autora de uma tese de doutorado sobre Guimarães Rosa. São 100 livros publicados e 20 milhões de cópias vendidas em 26 países. Ao longo deste tempo, observa mudança nos leitores, embora não saiba precisar de que forma. Ela suspeita de que estejamos exigindo menos concentração para ler. Isso se deve aos ambientes com muitas outras solicitações.

 

“Vamos aprendendo a manter a atenção da leitura apesar da dispersão que o ambiente oferece. Por outro lado, com as novas tecnologias, ficou muito mais fácil complementarmos nossa leitura indo buscar novos esclarecimentos, e podendo explorar melhor assuntos que nos despertem a curiosidade”, acredita.

 

ENCONTROS

 

Tanto Ana Maria Machado, como Marina Colasanti participarão de diversos eventos na programação do Fliaraxá. Entre eles, o Mastigando Autores e o Bate-papo com os jovens. São ambos momentos de encontros mais próximos entre autores e leitores.

 

“Minha experiência é que quando falo para crianças ou jovens, são eles que ganham (conhecimento, conselhos, alguma mínima sabedoria, um outro ponto de vista sobre a vida). Mas quando falo para adultos quem ganha sou eu, porque, finda a palestra, o público me traz um precioso feedback sobre o meu trabalho. Na emoção leitora de uns, no relato que os professores me fazem da utilização dos meus textos, no que os contadores me dizem sobre o efeito dos meus contos, eu vejo a irradiação do meu fazer e posso avaliar acertos e erros”, conta Marina.

 

Ela que é autora de mais de 50 títulos para todos os públicos, participa de eventos literários em todo o Brasil, acredita que os festivais têm o papel de atrair as pessoas para a leitura. “Seduzi-los através da multiplicidade de livros. Apaixoná-los pela escrita graças à palavra de escritores brilhantes. Acender entusiasmos em leitores fraquejantes.  Fazer do livro um objeto extremamente desejável.  E, se possível, colocar um livro em cada mão”, espera.

 

ALMA, LEITURA E REVOLUÇÃO

 

Para Marina, quando se depara com o tema do Fliaraxá deste ano, a primeira palavra que vem à cabeça é LITERATURA. Assim, em letras maiúsculas.

 

“A leitura de um livro literário toca a alma e a modifica. Pode-se ler a natureza, ler o rosto do interlocutor, ler o mar e o vento. Mas só a leitura de literatura é tão fundamente modificadora”, acredita Colasanti.

 

Ana Maria Machado pensa na poesia de Fernando Pessoa (“Tudo Vale a pena quando a Alma não é pequena) e também na obra da pintura inglesa Anna Alma Tadema. A escritora se sente hipnotizada pela minúcia com que recriava interiores em aquarelas. É uma artista que conheceu há pouco tempo e despertou uma reflexão sobre quantas mulheres foram apagadas da história.

 

“Foi preciso o feminismo fazer uma revolução cultural para começarmos a conhecer nomes de pintoras.  Pouquíssimas tinham chegado até nós até muito recentemente. Vale uma busca no Google. Mesmo no caso da literatura, em que mais mulheres foram  um pouco mais reconhecidas do que na música ou nas artes plásticas, ainda falta muito reconhecimento”, pontua.

 

Para a autora de “Menina bonita do laço de fita”, “Alice e Ulisses”, “Cabe na mala”, “Palavras, Palavrinhas, Palavrões”, entre outros, a leitura é urgente para a sociedade.  “Para termos mais informação e nos entendermos melhor, compreendendo o sentido do que nos acontece, de modo a podermos encontrar soluções para nossos problemas”, aposta Ana Maria Machado.

 

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