18 - 11 - 2017

Quarto dia do festival aplaudiu Maria Amália Dumont, que dá nome ao prêmio de redação, e os vencedores do concurso

 

Não só os escritores são reverenciados no Fliaraxá. No penúltimo dia do evento, os professores da cidade e a bibliotecária Maria Amália Dumont receberam atenção especial. Na manhã, depois da premiação de alunos no concurso de redação, os educadores ganharam aplausos e palavras de incentivo do grande homenageado desta edição, o escritor Mia Couto.

Das mãos dele, Maria Amália Dumont recebeu flores brancas. Há anos, ela milita pela difusão da leitura entre as escolas da cidade e seu entorno. Uma missão que pretende levar para toda a vida. “Sinto-me honrada e ainda mais comprometida com a causa da democratização do livro”, disse a bibliotecária. Ela está na realização do festival desde o início, e ajudou a propagar o evento entre as escolas e estimular a participação dos professores.

Amália dá nome ao prêmio de redação disputado por mais três mil alunos, de 30 escolas da cidade. O texto vencedor foi de Sther Dias Damico, de 16 anos, estudante do 2° ano da Escola Estadual Vasco Santos. A sua redação foi lida pela atriz e escritora Bruna Lombardi, que lembrou do seu tempo de colégio e do incentivo que recebeu dos professores na época.

Mia Couto também ressaltou o papel de quem trabalha com educação. Quando voltou ao palco para receber mais uma homenagem, inclusive em forma de samba-enredo, pediu que as palavras de carinho também se direcionassem aos professores ali presentes. “Foi através de professores e professoras que eu descobri que o livro não é exatamente um objeto. O que está no livro não são palavras, não é literatura, são pessoas. E são elas quem nos fazem reencontrar nós próprios, e descobrir nós mesmos e ter esse desejo de sair de nós para fazer uma viagem para o outro. E isso é fundamental, não como uma coisa literária, mas para ser feliz”, ressalta Mia.

Lei Rouanet

O festival, mais uma vez, esteve repleto de bons debates. Em um deles, no painel “Cultura e Futuro”, Hugo Barreto, da Fundação Roberto Marinho, Eduardo Piquet, do Museu do Amanhã, e Ascânio Seleme, do jornal O Globo, discutiram a notícia em tempos de pós-verdade. “Quando nos colocamos como donos da verdade, fazemos o mesmo que fazem aqueles extremistas com os quais não concordamos”, disse Piquet. “Temos de ser pontos entres extremos e promover o diálogo”.

À tarde, o Fliaraxá recebeu o Ministro da Cultura, o jornalista Sérgio de Sá Leitão. Ele fez uma forte defesa das leis de incentivo, em exclusivo da Lei Rouanet. Se depender dele, a principal ferramenta de fomento público da cultura, que aplica no setor cerca de R$ 1,15 bilhões por ano, seguirá prestigiada.

Para Sá, a lei vem sendo muito atacada como exemplo de mau uso de recurso público, sobretudo por ter como origem a renúncia fiscal. Argumentos que seriam injustos, segundo o ministro, até pelo mercado que o incentivo permite movimentar. Os empreendimentos culturais representam 2,64% do Produto Interno Bruto (PIB). “Significa a quinta maior atividade do país e entre as que mais geram empregos indiretos”.

Ele ainda prometeu um amplo plano de comunicação, para remover da população a ideia falsa de que a Rouanet é recurso mau empregado. A campanha deixará claro, por exemplo, que a renúncia fiscal representa apenas 0,64% do total hoje permitido pela União.  Há setores, como o agronegócio e o automobilismo, em que essa renúncia é exponencialmente maior.

No período da tarde, o público se divertiu com o ator Pedro Cardoso, que em um bate-papo descontraído falou sobre teatro, carreira, morar em Portugal, sobre o sistema de ensino brasileiro, entre outros. Depois ele autografou seu primeiro romance, lançado no evento: “O Livro dos Títulos”. Além dele, a escritora Valéria Vieira autografou sua obra: “Tempero do Mundo”.

No fim do dia, os participantes do evento puderam conferir o “Diálogo em Espiral” entre a atriz Bruna Lombardi e o escritor moçambicano, Mia Couto, que nesta noite recebeu uma homenagem especial.

Gastronomia

Os visitantes do Festival também passeiam pela livraria e usufruem da feira de gastronomia, com 25 expositores e uma programação musical diversificada.

Entre as opções de boa comida, está a barraca Tuga Portuguesa, de Humberto Petel. Vindo de Portugal em 2012, durante a crise econômica naquele país, Petel vive em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Ele faz questão de dizer que não é um chefe de cozinha, mas um mero curioso. “Gosto de cozinhar”, disse. “Para usar uma palavra que meus amigos usam, eu tenho um dom para a cozinha”.

Com a camisa 7 da seleção portuguesa, de Cristiano Ronaldo, ele mostra a sua churrasqueira, onde alguns frangos assam dourados em fogo já baixo. “Normalmente eu trabalho com o frango no churrasco (as pessoas precisam saber que Portugual também tem churrasco), além da costelinha de porco, tudo com o tempero diferenciado da região da Bairrada, em Portugal”, explica. “Para o Fliaraxá, eu criei um prato especial: uma fusão entre o lombo de porco recheado em que, na realidade, eu utilizo carne de boi. Estou chamando de costelão recheado”, conta.